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Um chá de realidade

Um chá de realidade

Um chá de realidade: é assim que eu descrevo o meu dia. Eu sou uma pessoa privilegiada. Moro em uma casa confortável, tenho tudo o que eu quero, tenho oportunidade de estudar, tenho roupas da moda, sapatos legais, minha pele, meu cabelo e meus dentes são bem tratados, e não divido a cama com as minhas irmãs. [...] Mas e daí? O que eu fiz até agora para ajudar o meu próximo?

Felizmente eu tenho um anjo que me faz refletir sobre essas coisas e que me levou para experimentar uma tarde em um ambiente que não era o que eu estava acostumada. Pessoas pobres e com estrutura muito simples chegavam com um sorriso no rosto. Poxa, vivem mal, comem mal, se vestem como podem, e mesmo assim sorriem? Tinha uma menina tímida num cantinho, aguardando a sua mãe que estava conversando com uma das organizadoras desse “evento”, vamos assim dizer, que me chamou atenção. Comecei a conversar com ela e vi o quanto as realidades são discrepantes. A menina tinha 6 anos, 6 irmãos, dormia em uma cama com a mãe e com as irmãs, uma das irmãs já tinha uma filha, ela não estudava, porque a mãe não conseguiu vaga para ela na escola, mas contava essas coisas com tanta naturalidade, como se tudo isso fosse normal. E sorria cada vez que falava da boneca dela…

Apenas para situar, esse “evento” ocorre uma vez no mês, numa cidade completamente marginalizada aqui do DF. Pessoas com interesse em ajudar se juntam para distribuir sopa para essas pessoas carentes. E hoje, eu pude sentir um pouco dessa energia, ver de outra maneira que a minha vida é perfeita, que eu não tenho motivo algum para reclamar de nada, que a vida é muito curta para não a utilizarmos em prol do bem. Essas frase, “quem tarde ajuda, pouco ajuda”, me marcou muito e felizmente um anjo me deu um empurraozinho. Nunca é cedo para começar, né? E hoje foi o meu primeiro dia e me fez muito bem.

Anjo, obrigada por tudo, principalmente por estar ao meu lado abrindo os meus olhos para as coisas que eu tenho dificuldades em enxergar. Te amo!

October 16, 2011 7 comments Read More
A chuva/cigarra em Brasília

A chuva/cigarra em Brasília

Quer coisa mais complicada que morar em Brasília? É uma cidade bacana, com oportunidades para todos os gostos. Não tem nada para fazer, mas é legal mesmo assim. O único problema? Não chove! Estamos numa seca que chegou a 10% de umidade e nenhum sinal de chuva. Quando aparece uma nuvem no céu, já junta uma corrente de pensamentos positivos torcendo para que outra nuvem chegue e mais outra e outra só pra juntar todas e cair umas gotinhas. Tá certo que com uma semana a gente começa a reclamar “Só chove nessa cidade!”, numa cidade que fica 114 dias sem chover. Bom, a verdade é que eu não tenho o que postar e vi o céu ficando cinza. Chuva? Hoje? Não… Acho que não. O meu maior desespero nem é a chuva que não vem e sim as cigarras que anunciam as chuvas. Não por não gostar de chuva, mas por detestar cigarras do fundo da minha alma. As árvores já estão com aquelas casquinhas amareladas das cigarras que saíram da terra e que estão prontas para gritar e voar, e se emaranhar no cabelo da gente. Se tudo der certo, elas não vão vir atrás de mim esse ano. Não vão. A janela do meu quarto vai ficar de Outubro a Maio sem ser aberta! Eu não vou deixar que esses monstros entrem no meu quarto de novo…

September 25, 2011 9 comments Read More
Ópera

Ópera

Quem me viu quem me vê… Indo à Ópera! O maestro que dá aula pro coral que participo comentou sobre uma ópera que ia ter, entrada franca, e liguei para uma amiga que é do meio para saber como que eu fazia para assistir. Óbvio, o primeiro passo seria o ingresso, e se o espetáculo era no sábado, então eu tinha que pegar o ingresso na terça. Eu, super esperançosa de que as pessoas de Brasília tivessem coisas mais interessantes para fazer numa sexta-feira à noite, fui ao teatro às 11h50 para aguardar a abertura da bilheteria, que abria meio-dia. Doce ilusão. Não devia ter nada para fazer em Brasília, e todos resolveram ir buscar um ingresso. Uma fila, mas uma fila… E um sol, um calor, e pessoas esquisitas… Me dá até agonia. Faltando entre 3 e 6 pessoas, porque eu acho que tinha gente furando fila pelas laterais, os ingressos destinados à distribuição naquele dia se esgotaram! Não se pode ser cult nessa cidade! Liguei para a minha amiga, frustradíssima: “Poxa, não deu certo! Se eu tivesse chegado um minuto antes, talvez conseguísse”. Aí ela comentou que possivelmente iam liberar os outros ingressos no dia da apresentação. E não foi? Nem esperei ela passar lá em casa para me buscar. Tratei de me arrumar e peguei um ônibus que passava lá do lado. E se não fosse isso, não teríamos conseguido assistir.

Eu aqui falando da minha saga para tentar ser high society nessa cidade e já ia esquecendo de comentar como foi a peça. Nem sei se falamos “peça” quando é ópera ou se simplesmente falamos “ópera”. Foi muito bacana, mas não é o tipo de programa que eu faria mensalmente não. Nunca tinha assistido, então não sabia que a orquestra ficava embaixo do palco. E os cantores (também não sei se é assim que os chamamos) deram literalmente um show. Como conseguem cantar mais alto que a própria orquestra? E o mais engraçado, é que em um momento houve um coro e vejo uma colega que estudou comigo! Como assim?! Que que ela tá fazendo no palco?

No fim do espetáculo, a minha amiga me levou lá nos bastidores, porque ela queria falar com os amigos dela. Quando a minha irmã fazia ballet e se apresentava no teatro, nós também entrávamos lá, mas porque ela era da família. Eu me senti completamente deslocada, mas gostei mesmo assim. O mais engraçado foi ver que a menina que estudou comigo se lembrou de mim e me chamou pelo nome. Engraçado, eu sempre acho que as pessoas não se lembram de mim. E ela tava com a bebezinha dela, que devia ter um ano e pouquinho. E esse bebê, na hora em que o coro cantava, começava a meio que dar uma marchadinha, feito soldadinho, e quando o coro acabou de cantar, ela bateu palmas tão engraçado, com as mãos todas abertinhas! Gente, muito simpatiquinha ela. Já vi que vai ser artista que nem a mãe…

July 3, 2011 4 comments Read More
Paralamas do Sucesso

Paralamas do Sucesso

Segundo a minha amiga da foto, “não importa quem você é, e sim quem você conhece”. No aniversário da empresa que eu trabalho, foi promovido um show do Paralamas do Sucesso, com camarote e tudo. Aí, tinha descoberto que os gerentes tinham conseguido ingressos para a área Vip, e logo fui atrás de uma pessoa para saber se ela iria ao show. Enfim! Consegui os ingressos e fiquei muito feliz porque a pessoa os deu para mim sem pedir nada em troca. Nossa, tirando que eu senti falta de uma pessoa até dizer chega, foi muito legal. Levei a minha amiga comigo pra curtir o som numa friaca com direito até a vento no chafariz caindo em direção ao lugar. E eu me amarro nos Paralamas do Sucesso, então iria mesmo que não tivesse ingresso pro camarote, até porque o show era de graça. O mais legal é que lá tinham duas máquinas com webcam, que tiravam foto e revelava na hora.

Tirando que no fim da “festa” a gente resolveu ir pelo lado menos longo e do nada bateu um vendaval que deixou a gente ensopada por causa do chafariz (ah, vai, eu não sou tão exagerada assim) e saímos correndo e gritando… Espero que ninguém do trabalho tenha visto essa cena!

June 7, 2011 7 comments Read More