Um chá de realidade: é assim que eu descrevo o meu dia. Eu sou uma pessoa privilegiada. Moro em uma casa confortável, tenho tudo o que eu quero, tenho oportunidade de estudar, tenho roupas da moda, sapatos legais, minha pele, meu cabelo e meus dentes são bem tratados, e não divido a cama com as minhas irmãs. [...] Mas e daí? O que eu fiz até agora para ajudar o meu próximo?
Felizmente eu tenho um anjo que me faz refletir sobre essas coisas e que me levou para experimentar uma tarde em um ambiente que não era o que eu estava acostumada. Pessoas pobres e com estrutura muito simples chegavam com um sorriso no rosto. Poxa, vivem mal, comem mal, se vestem como podem, e mesmo assim sorriem? Tinha uma menina tímida num cantinho, aguardando a sua mãe que estava conversando com uma das organizadoras desse “evento”, vamos assim dizer, que me chamou atenção. Comecei a conversar com ela e vi o quanto as realidades são discrepantes. A menina tinha 6 anos, 6 irmãos, dormia em uma cama com a mãe e com as irmãs, uma das irmãs já tinha uma filha, ela não estudava, porque a mãe não conseguiu vaga para ela na escola, mas contava essas coisas com tanta naturalidade, como se tudo isso fosse normal. E sorria cada vez que falava da boneca dela…
Apenas para situar, esse “evento” ocorre uma vez no mês, numa cidade completamente marginalizada aqui do DF. Pessoas com interesse em ajudar se juntam para distribuir sopa para essas pessoas carentes. E hoje, eu pude sentir um pouco dessa energia, ver de outra maneira que a minha vida é perfeita, que eu não tenho motivo algum para reclamar de nada, que a vida é muito curta para não a utilizarmos em prol do bem. Essas frase, “quem tarde ajuda, pouco ajuda”, me marcou muito e felizmente um anjo me deu um empurraozinho. Nunca é cedo para começar, né? E hoje foi o meu primeiro dia e me fez muito bem.
Anjo, obrigada por tudo, principalmente por estar ao meu lado abrindo os meus olhos para as coisas que eu tenho dificuldades em enxergar. Te amo!

Diversão sempre, crueldade nunca! 
Quem me viu quem me vê… Indo à Ópera! O maestro que dá aula pro coral que participo comentou sobre uma ópera que ia ter, entrada franca, e liguei para uma amiga que é do meio para saber como que eu fazia para assistir. Óbvio, o primeiro passo seria o ingresso, e se o espetáculo era no sábado, então eu tinha que pegar o ingresso na terça. Eu, super esperançosa de que as pessoas de Brasília tivessem coisas mais interessantes para fazer numa sexta-feira à noite, fui ao teatro às 11h50 para aguardar a abertura da bilheteria, que abria meio-dia. Doce ilusão. Não devia ter nada para fazer em Brasília, e todos resolveram ir buscar um ingresso. Uma fila, mas uma fila… E um sol, um calor, e pessoas esquisitas… Me dá até agonia. Faltando entre 3 e 6 pessoas, porque eu acho que tinha gente furando fila pelas laterais, os ingressos destinados à distribuição naquele dia se esgotaram! Não se pode ser cult nessa cidade! Liguei para a minha amiga, frustradíssima: “Poxa, não deu certo! Se eu tivesse chegado um minuto antes, talvez conseguísse”. Aí ela comentou que possivelmente iam liberar os outros ingressos no dia da apresentação. E não foi? Nem esperei ela passar lá em casa para me buscar. Tratei de me arrumar e peguei um ônibus que passava lá do lado. E se não fosse isso, não teríamos conseguido assistir.

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